Referendo
O resultado do referendo sobre a proibição da comercialização de armas nos transporta a algumas considerações. A vitória do Não apesar de incontestável, não reflete ter prevalecido o espírito e índole da sociedade brasileira, mas a vitória de um marketing pobre porém eficiente junto às camadas menos esclarecidas do universo de eleitores. Afinal, dizer que os brasileiros estariam tendo o seu direito suprimido, jogou com a idéia de fazer com que o povo optasse pela Lei de Gérson, ou seja, levar vantagem em tudo. Assim, não quero perder um direito meu. Mas que direito é esse? Direito de comprar armas e munição. Quantos terão condições de usufruir desse direito? Se a grande maioria não tem condições econômicas para suas necessidades básicas, terá então para comprar uma arma e munição, apenas por ter esse direito?
Esses que impuseram seus interesses a favor da indústria de armas me fazem lembrar algo:
...Doze vozes gritavam cheias de ódio eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco...
Chuva e Frio
A pressa para chegar ao escritório...o tempo castiga.Frio...chuva.Pessoas conversam pouco...os olhares pelas janelas do metrô buscam soluções ou simplesmente desligam-se da realidade enquanto aguardam o anúncio de suas estações...seus destinos.Imaginar estar sob o sol tropical como se fora possível transformar o tempo à nossa vontade.Dia bom para ficar sob as cobertas...mas se assim fosse feito todos seriam os dias sob cobertas.Nova viagem...mais uma.
Observações em um dia de sol claro
O sol está claro. A expectativa de um dia com chuva não se concretizou. Do alto pode se observar as sombras das nuvens sobre as águas do mar, águas verde esmeralda.
O reflexo do branco sobre as estruturas metálicas destacam o vermelho desbotado pelo tempo. Palmas dos coqueiros balançam timidamente ao sabor dos ventos do Atlantico. Vergam suaves para depois retornarem ao seu repouso primário. Metade soçobrada de um navio compõe a paisagem distinta, entre telhados metálicos e cobertos de fuligem de uma torreta proveniente de restaurante.
Escadarias tumultuadas pelo fluxo constante de transeuntes visitantes, de distantes paragens ou locais esporádicos, que atravessam em seus rumos a qualquer lugar.
Ciclista solitário apressadamente cruza em direção ao seu intento.
Porque a pressa apressa? Talvez ao banco para saque do seguro salvador.
Casal sentado na plataforma, por instantes recupera o fôlego para dar continuidade às suas explorações ao desconhecido.
O verde das copas amarelam sob o vigor radiante que em instantes é encoberto por nuvens alvíssimas.
Mesas e cadeiras amarelas entre palmeiras aguardam....
Desfilam alunos e vendedores na passarela de triangulos negros; enquanto jarros adornam abas sob janelas.
Agua na fonte exibe pequenas ondas à força de vento que as faz embalar.
Crianças em seus uniformes azul e branco enfileiradas seguem o mestre que lhes desvenda os caminhos em direção ao conhecimento.
Ao longe soa o apito que interrompe a rotina militar e indica nova atividade naquele momento.
A jovem corre em busca do esquecido em algum lugar ou..para apanhar o próximo ônibus. Outras apenas caminham com suas sacolas e bolsas ao ombro. Mãe com filho, ao celular combina o encontro para retorno ao lar.
Estrangeiro típico com sua bermuda e sandálias explora rapidamente e segue desavisado dos sobresaltos que poderá ter...mas retorna pela rua vizinha e anda despreocupado pela calçado do prédio rosado.
O vendedor de sorvetes pára à pequena sombra e aos poucos confere a pequena féria do princípio do dia.
Blusa amarela e calça marrom, anda rápido o funcionário por entre escadarias. Cabisbaixo um senhor se perde entre as árvores da calçada. Talvez não foi hoje que seu problema foi solucionado. Esperanças e pensamentos ao tempo. Através da construção antiga, simbolos antepassados.
Cabelos longos desfilam...
Encher a alma de agradecimento pelo ato de estar são. Ouvir, sentir, ver e experimentar.
Silêncio quebrado apenas pelos sons do ar condicionado.